Estou com as costas completamente nuas. As mãos nos seios só para garantir que ele não está olhando. Também estou um pouco envergonhada, não sei se deveria ter feito isso. Me precipitei! Ele, estático, bem atrás de mim. Imagino que esteja com um pouco de sangue.
´´Ficou lindo!``- dizia o tatuador.
O muffin com cobertura de creme iria adoçar o lado direito da parte superior das minhas costas para sempre. Merda! Porque não tatuei um cookie com gotinhas de chocolate?! Ou porque simplesmente não fiquei em casa com um corpo sem desenhos alimentícios, assistindo Sex and The City, como the costume?!
Bem, imagino que seria mais ou menos isso que aconteceria se eu ousasse tatuar um bolinho em mim. Que idéia mais maluca, Amanda! Eu remoeria a insanidade que eu fiz toda vez que chegasse a sobremesa. Ou então, pior. Iria desembestar de vez e virar garota propaganda da Pullman.
Primeiro, devo elucidá-los sobre de onde surgiu essa história de bolinhos e tatuagens. Minha digníssima amiga Amanda, no seu momento mais fértil de criatividade, resolveu dizer que muffins me representariam muito bem. Tenho lá minhas dúvidas se ela se referia a minha barriguinha que já está ficando saliente e fugindo da calça(como a massa do bolinho quando transborda do saquinho de papel) , ou se referia a doçura do bolinho, que costuma causar alguns sorrisos honestos ao esperar ansiosamente para degustar aquele pequeno compacto de glicose, chocolate, gordura trans e fermento(você que é dona de casa e acha que estão faltando alguns ingredientes, por favor não se iniba e deixe a receita pra mim). Enfim, durante um grande devaneio entre amigos com a imaginação que atravessa a linha do comum, a idéia de massacrar a minha pele com tinta colorida e carimbar o docinho surgiu, de modo que me fizesse a analisar o caso assim que eu chegasse em casa.
Talvez essa história de ter um doce tatuado fizesse corroborar todas as cantadas de ´´humm que delícia`` e ´´que coisinha mais gostosa`` que eu ouço quando passo na frente das obras e dos botequins, mesmo assim, continuaria a escutá-las como uma enorme grosseria.
Devo confessar, que o intuito dessa crônica não era contar uma ´´viagem`` de duas adolescentes famintas enquanto voltavam de seus estágios. Era explicar a minha posição sobre a tal história da mãe gulosa que come seu bolinho antes de você (não que isso também não seja uma grande viagem...).
Olha, Nando, essa história de fazer analogias entre bolinhos, vida, receitas e escolhas não é muito comigo não. De qualquer forma, vou lembrar o meu exato comentário pra você, e vou contá-lo para aqueles que não estavam presentes. ´´Ou então, o bolinho sai da validade, e sua mãe gulosa come ele assim mesmo!``. Isso não é uma metáfora educacional sobre a vida e o amor maternal, é um fato. Quantas pessoas comem comida depois de sair da validade?! Foi só isso que eu quis dizer. Nada mais! Talvez você não tenha entendido, porque um comentário tão superficial como esse, não tenha o que entender. Ele é tão óbvio quanto parece. Nada de comparações e idéias esdrúxulas sobre a educação que a minha mãe me deu(mãe te amo!) e nem nada parecido com filosofias cabeça a cerca de uma frase. Às vezes, uma frase é só uma frase. No momento, eu devia estar falando no automático, enquanto imaginava uma suculenta tortinha recheada com brigadeiro.
Na verdade, eu vim me retratar. Enquanto o meu companheiro de blog engendrava uma crônica interessante para postar, eu provavelmente estava imaginando o q deveria ser o menu do meu jantar.
Vou pedir licença ao meu amigo, e vou concluir o meu texto sendo um pouco parodoxal com o blog. Às vezes, o que se ouve, por mais estranho que pareça, é exatamente isso que você está pensando!