quarta-feira, 13 de maio de 2009

A vida é como um bolinho 2

Estou com as costas completamente nuas. As mãos nos seios só para garantir que ele não está olhando. Também estou um pouco envergonhada, não sei se deveria ter feito isso. Me precipitei! Ele, estático, bem atrás de mim. Imagino que esteja com um pouco de sangue.

´´Ficou lindo!``- dizia o tatuador.

O muffin com cobertura de creme iria adoçar o lado direito da parte superior das minhas costas para sempre. Merda! Porque não tatuei um cookie com gotinhas de chocolate?! Ou porque simplesmente não fiquei em casa com um corpo sem desenhos alimentícios, assistindo Sex and The City, como the costume?!

Bem, imagino que seria mais ou menos isso que aconteceria se eu ousasse tatuar um bolinho em mim. Que idéia mais maluca, Amanda! Eu remoeria a insanidade que eu fiz toda vez que chegasse a sobremesa. Ou então, pior. Iria desembestar de vez e virar garota propaganda da Pullman.

Primeiro, devo elucidá-los sobre de onde surgiu essa história de bolinhos e tatuagens. Minha digníssima amiga Amanda, no seu momento mais fértil de criatividade, resolveu dizer que muffins me representariam muito bem. Tenho lá minhas dúvidas se ela se referia a minha barriguinha que já está ficando saliente e fugindo da calça(como a massa do bolinho quando transborda do saquinho de papel) , ou se referia a doçura do bolinho, que costuma causar alguns sorrisos honestos ao esperar ansiosamente para degustar aquele pequeno compacto de glicose, chocolate, gordura trans e fermento(você que é dona de casa e acha que estão faltando alguns ingredientes, por favor não se iniba e deixe a receita pra mim). Enfim, durante um grande devaneio entre amigos com a imaginação que atravessa a linha do comum, a idéia de massacrar a minha pele com tinta colorida e carimbar o docinho surgiu, de modo que me fizesse a analisar o caso assim que eu chegasse em casa.

Talvez essa história de ter um doce tatuado fizesse corroborar todas as cantadas de ´´humm que delícia`` e ´´que coisinha mais gostosa`` que eu ouço quando passo na frente das obras e dos botequins, mesmo assim, continuaria a escutá-las como uma enorme grosseria.

Devo confessar, que o intuito dessa crônica não era contar uma ´´viagem`` de duas adolescentes famintas enquanto voltavam de seus estágios. Era explicar a minha posição sobre a tal história da mãe gulosa que come seu bolinho antes de você (não que isso também não seja uma grande viagem...).

Olha, Nando, essa história de fazer analogias entre bolinhos, vida, receitas e escolhas não é muito comigo não. De qualquer forma, vou lembrar o meu exato comentário pra você, e vou contá-lo para aqueles que não estavam presentes. ´´Ou então, o bolinho sai da validade, e sua mãe gulosa come ele assim mesmo!``. Isso não é uma metáfora educacional sobre a vida e o amor maternal, é um fato. Quantas pessoas comem comida depois de sair da validade?! Foi só isso que eu quis dizer. Nada mais! Talvez você não tenha entendido, porque um comentário tão superficial como esse, não tenha o que entender. Ele é tão óbvio quanto parece. Nada de comparações e idéias esdrúxulas sobre a educação que a minha mãe me deu(mãe te amo!) e nem nada parecido com filosofias cabeça a cerca de uma frase. Às vezes, uma frase é só uma frase. No momento, eu devia estar falando no automático, enquanto imaginava uma suculenta tortinha recheada com brigadeiro.

Na verdade, eu vim me retratar. Enquanto o meu companheiro de blog engendrava uma crônica interessante para postar, eu provavelmente estava imaginando o q deveria ser o menu do meu jantar.

Vou pedir licença ao meu amigo, e vou concluir o meu texto sendo um pouco parodoxal com o blog. Às vezes, o que se ouve, por mais estranho que pareça, é exatamente isso que você está pensando!

domingo, 19 de abril de 2009

Que tipo de bolinho você prefere?

Uma amiga minha chegou pra mim um dia desses e disse que tinha aprendido uma frase muito boa. Fiz o que imaginei que ela queria que eu fizesse e perguntei que frase seria. Ela me disse “A vida é igual a um bolinho”. Percebi que agora ela esperava que eu perguntasse o por quê, mas decidi quebrar essa jogada dela e deduzi sozinho a resposta. Perguntei “Porque acaba em duas mordidas?”. Ela começou a rir e disse que tinha que ter sido eu pra falar aquilo, mas que a resposta seria: “porque pode ser doce, salgada e às vezes sola”, ou alguma coisa parecida. Bem, a resposta não foi de toda ruim, mas ainda continuei achando a minha resposta válida. Mais tarde, voltando com outras amigas pra casa (uma delas a Gabi, inclusive), discuti a doce filosofia sobre a vida. Elas acharam as duas respostas boas e ainda acrescentaram “pode ser recheada, maciça ou oca também!” Genial! Claro que a vida pode ser comparada com milhões de coisas, mas decidi falar sobre essa em específico porque, de uma brincadeira boba, surgiu uma discussão de onde saíram várias boas respostas e me levou a pensar em muitas outras coisas. Mas vamos nos ater aos pontos onde a vida é igual a um bolinho.
Se você for um guloso de boca enorme feito eu, sim, seu bolinho acaba no máximo em duas mordidas e você acaba sem sentir direito o gosto dele. Isso, adaptando para a vida, indica que se você tiver pressa, se fizer tudo correndo, sem prestar atenção às coisas e às pessoas que estão à sua volta, sua vida pode acabar mais cedo que você imagina e então você não vai ter muita coisa que passe na sua cabeça em flashes na hora que você estiver partindo. Ou então que, se você não tiver paciência, por exemplo, pra esperar o sinal ficar vermelho, você pode morrer cedo, deixando de viver muitas coisas que você ainda tem pra usufruir da vida.
Quanto à resposta da minha amiga, Juliana é o nome dela, a propósito, quer dizer que às vezes acontecem coisas boas na sua vida, mas você tem que saber que momentos ruins virão e momentos ainda piores podem pintar também. O que a diferencia de um bolinho nesse ponto é o fato de você poder escolher se quer um salgado ou um doce e, se você quiser fazer um e não seguir a receita direitinho, ele pode solar (às vezes, mesmo seguindo a receita à risca, ele sola). O importante é saber reconhecer os ingredientes perdidos no bolo solado, mas não ficar lamentando e sim voltar à mesa e aos potes para fazer um próximo bolinho, dessa vez prestando mais atenção para que não sole de novo.
A outra resposta foi acrescentada pela Amanda. Se você pode escolher que o seu bolinho tenha recheio ou não, todos nós sabemos, e com a vida não é muito diferente. Quando você corre atrás e luta, mesmo durante o percurso, você recheia sua vida de amigos, de experiências, de sabedoria e noções diferentes sobre a própria vida (tudo bem, nem todo mundo precisa lutar pra conseguir uma vida recheada, mas quem corre atrás, ou na frente, como outras pessoas preferem, a gente consegue dar um belo valor pelo obtido). E como às vezes, por um erro industrial, a gente compra um bolinho recheado e ele vem sem recheio (nunca aconteceu comigo, mas outras coisas parecidas já aconteceram), a gente passa por infinitos tipos diferentes de frustração. A desvantagem, ou vantagem, não sei, é que, na vida, não tem como a gente ligar para o SAC da empresa e pedir outra oportunidade, como a gente pode pedir outro bolinho, e que venha com recheio, de preferência.
O que a Gabi acrescentou à conversa foi alguma coisa como “ou então, sua mãe gulosa pode comer ele antes de você!”, mas confesso que não consegui encontrar uma interpretação que ligue essa resposta a algum conceito da vida.
Claro que todas essas frases, dadas como resposta à suposta retórica de que “a vida é como um bolinho”, não tem uma única interpretação e você pode muito bem discordar de mim, mas em uma coisa você tem que concordar: você pode escolher ter uma vida doce, sem se preocupar em engordar.
Nando

quarta-feira, 25 de março de 2009

Inauguração?!

Nunca fomos a uma inauguração. Também nunca imaginamos inaugurar nada. Parando pra pensar, o que é realmente uma inauguração?
Um amigo nosso que vive definindo as coisas, tirando todo mundo do sufoco, disse assim: s.f. Ato de inaugurar. / Cerimônia com a qual se mostra, se apresenta pela primeira vez ao público uma obra, um monumento, uma instituição, com que se procede oficialmente à abertura de uma exposição etc. / Início de exercício; implantação.
Ok. Criamos um blog. Está no ar. Exercício iniciado!
Mas não teve um "open site". Nenhuma fita vermelha foi cortada por uma mão importante. E não. Não vamos fazer discurso. Então chegamos a um dilema: abrimos nossa exposição, mas se não temos público, ela foi inaugurada?
Tudo bem, você está lendo agora. Mas já faz algum tempo que esta postagem foi feita.
Adoraríamos que inaugurações fossem simples. Curiosos apenas aguardando pelo click no "enviar" da nossa primeira postagem para ler e dar sua opinião. Acontece que esses curiosos provavelmente fariam o mesmo em outros sites, o que tiraria o nosso mérito.
Então, para uma inauguração ideal tem que ter divulgação. Divulgação essa que não fizemos.
Deixemos assim: você está aqui e é muito bem-vindo. A partir de hoje, toda semana passamos aqui pra um entretenimento a três. Você pode ser só voyeur, mas a gente prefere que você participe...
Relaxa! Não é nada disso que você está pensando!